quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Entre o Amanhecer e o Acordar

Entre o amanhecer e o acordar
Existe um almoço ou um jantar?
Os pássaros cantam e dançam no ar
Os sonhos chegam ou tentam chegar?
Acuo ou tento acuar os desejos da noite
Antes cá presente sem rima ou seria rimar?



A progressão escrita na folha branca – preta
A regressão restrita na moça franca – fraca
A emoção presente na música – poética

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Anedota


Aproximava-se de casa vindo de um bar local qualquer, onde estava a beber com os amigos, a tempo de ver um táxi parando e sua mãe descendo em direção ao portão – o que já era incomum, pois sua mãe não andava de táxi. Em todo caso, saíra do carro e fora em direção ao portão, mas antes que pensasse em abri-lo fora abruptamente interrompida por dois homens desconhecidos que simplesmente a levaram a força para outro carro, parado em frente ao táxi, e partiram em disparada. Sem entender bem o que estava acontecendo, pôs-se a correr e logo alcançou o táxi:

- Corra! – disse ao motorista.

- Corra, ande logo, atrás daquele carro!

- Sim, sim... – retrucou o motorista ainda atormentado com tudo.

Não sabia bem o porquê e muito menos lhe era interessante saber no momento, mas o fato é de que o motorista falava francês, e por alguma outra estranha razão ele entendia.

Trim. Trim.

Seu celular soou.

- Alô.

- E aí, tá acordado?

- Agora estou.

- Estamos passando aí pra irmos pro bar.

- Ta... Já tava na hora de acordar mesmo...

Este fora talvez o quinto ou sétimo pesadelo que tivera seguidamente naquela semana, dos quais lembrava claramente apenas de dois, não estando o daquela noite incluso...

Punha-se (talvez no terceiro) a pensar o porquê de tantos pesadelos consecutivos, mas por se tornarem corriqueiros passou a analisar as idéias embutidas neles.

Das idéias que lembrava a que mais lhe era interessante era de um dos dois pesadelos que ele lembrava com mais clareza:

Estava no bar a conversar com os amigos, sendo um deles tão excêntrico que acabou por perturbar outro consumidor do bar local – muito provavelmente por relação ao futebol. O fato era que este consumidor se alterara de tal maneira que fora ao seu carro e voltara minutos depois com um revólver em punhos, apontando diretamente para seu amigo. Para protegê-lo tomou a frente da mira e pôs-se a conversar com o agressor. Tendo-o convencido a não cometer um crime por motivos tão pífios, voltou-se para seu amigo e lhe deu uma bronca por tudo que ocorreu. Este por sua vez, debochou e deu de ombros, falando algo grosseiro. Nesse instante o agressor, que ouvira tanto a bronca quanto o insulto em resposta, virou-se e atirou.

- Eu falei pra tu ficar calado...

Disse ele antes de morrer.

Ao contrário do que normalmente acontece com as pessoas que morrem em pesadelos, ele não acordava antes de ser atingido e isso era o que ele achava tão interessante.

Não era só a possibilidade de seus pesadelos acontecerem – o que era verdade, mas também o fato de em todos, ou em sua grande maioria, ele morrer e continuar a sonhar. Suas causas e efeitos eram tão reais que ele sentia as dores e os sofrimentos e ao decidir acordar – porque sim, era uma escolha dele acordar – estava profundamente triste com o que o seu amigo o fizera passar: acabara de morrer por ele ser um idiota.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Escolhas Pré-definidas



Cap. I
Despertar

                Era uma clara manhã sem sonho quando ele resolveu despertar. Já havia acordado, mas por hora decidira ficar ali, deitado à cama pensando no porquê de não ter sido abençoado com um magnífico sonho, como pedira em suas preces na noite anterior – não se distraia ao pensar que ele era do tipo religioso, era sim, mas acreditava mais nas pessoas do que nos deuses; na verdade, costumava dizer para si mesmo que as pessoas eram os verdadeiros deuses. Pedira um sonho, um sonho qualquer, porém deslumbrante, e nada tivera. Levantou-se devagar – estava dolorido – sua cabeça doía, assim como suas costas – novamente havia dormido de mau jeito? Pensou consigo.
Lá fora o sol dava boas vindas, era uma fatídica terça-feira na qual nada teria ele para fazer e ainda sim já estava cansado do dia que teria.
- Mãe, você pode me preparar um café da manhã no capricho e me trazer aqui?
Perguntou ele sem a mínima esperança de ser atendido – nunca antes fora – enquanto se alongava e se preparava para o banho.
- Ah... Que delícia, nada como um banho gelado ao acordar...
Pôs-se a se arrumar – algo leve e casual que o fizesse passar pela manhã sem derreter no calor que fazia – até que se virou e de relance viu na cama àquele café da manhã que pedira.
- Mãe, foi você quem deixou isso aqui?
Perguntou ele, já sabendo a resposta.
O silêncio se fez, enquanto ele terminava de se arrumar para saborear àquele café. Após, desceu com a bandeja e não encontrou sua mãe, encontrou apenas um bilhete que dizia: “Fui ao mercado.”
Lavou a bandeja, assim como o prato e o copo que usara – estranhamente se questionou, por aquilo ser incomum... Apesar de saber fazer, ele não se punha a fazer quase nada em casa.
Decidiu sair de casa e assim o fez. Fora à praça, apenas pela reflexão que o balançar das árvores – cheias de flores nessa época do ano – o faziam ter: ali ele se sentia o projetor de sua própria previsão. Sentado ao banco ele analisava tudo e todos que ali se encontravam, analisava suas razões e necessidades, questionava-se sobre suas escolhas e o que elas poderiam lhe trazer; há tempos se esquecera como era analisar as escolhas que não fizera... Estava a lembrar de suas próprias palavras, ao pensar no que estava fazendo: analisando...
(...) deste dia em diante, não porei eu a pensar nas escolhas que não fiz; tal pensamento apenas verte a alma em desilusão e aflição, porque a expectativa de ser é mais que o próprio ser.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

In com um

Um garoto incomum, que gostava de coisas incomuns, me disse algo incomum:
 "sabe... o mundo é comum."
então não entendi e perguntei-o porquê?!
"porque tudo tende ao equilíbrio e equilíbrio é o mal do mundo."
continuei sem entender, pois, pra mim o equilíbrio era a salvação.
antes que pudesse continuar a pensar, ele completou:
"o mundo é feito de extremos e até eles, sendo extremos, equilibram o mundo - a maior ironia do mundo é que nós vivemos para morrer."
"a maior ironia do mundo é que vivemos para morrer."
e aquilo não saia da minha cabeça, de repente tudo fazia um sentido tão abismal que eu chorei por entender.

"o mundo é mesmo comum...
e nem a mais incomum das pessoas pode mudar isso."

foi o que eu disse pra ele, que me respondeu:
"nós, os incomuns, não ligamos para o mundo...
por isso tudo tende ao equilíbrio."

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Pré tenção

sou um louco - todos somos,
e meus traços são confusos.
não me importo com tudo,
seria isso imprudência?
ígneo por natureza, e,
verossímil - sempre!
eminente, quando quero
liturgicamente

compito
conflito
cogito

íntegro, entrego
aos que podem
tudo que penso
e mesmo tenso
eles me veem

às vezes ando sem
ninguém pára
acompanhar

outras tantas me prolongo
sem querer me prolongar

mas faz
parte
de mim
assim
confuso
com fuso
em marte
jaz

domingo, 13 de dezembro de 2009

Nova mente


Cherche


ao passear pela vida, em pensamento
notei que ela, para meu lamento
dividia-se em três partes:

no princípio, por inocência
tudo ao mundo perguntamos
e queremos respostas, imediatas

encontramos a razão, logo após
e nos questionamos
chegando à parte dois

então, depois,
chega nossa vez:
respondemos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Poe ma

 
"Femme"


Estive aqui
mas parti
não pude entender

tanta desgraça
tamanha trapaça
nesse mundo blasé

vivo hoje
- como alguém -
um ser perdido

meu traje
(visto desdém)
não faz sentido

quando jovem
(no mundo)
ausente, tudo profana

então, bem
do fundo
minha mente proclama:

"Vá, trilhe
seu caminho!
Lembre-se sempre:
estás sozinho."


A essa altura
apenas peço clemência
por este vulgar,
que agora faz

em plena "paz"
pose de lugar.
Fazendo, mudo, reverência
àquela, mesma, criatura.

Entre um julgamento
e outro, condena
o mundo singular

a ser ímpar,
quando não amena,
por um momento.

domingo, 29 de novembro de 2009

Lenta mente



Eram 9 da noite quando ele decidiu ir à biblioteca - apenas por gostar do ambiente.
Entre uns livros interessantes e outros nem tão, ele achou um em particular de um autor em particular que ele queria, em particular, ler.
Uma boa surpresa aquela biblioteca tê-lo, pois, poderia agora ler ali, naquele ambiente deveras confortável para ele.
Ao abrir o livro ele nota que há um clipz mais ou menos ao meio, sendo usado como marcador de página.
Um clipz rosa.
Ele pensa: "Deve ser uma mulher... Até porque não acho que algum homem leria esse livro por aqui..."
Não que o livro fosse feminino, apenas o ambiente não condizia com homens e leitura...
Curioso, ele coloca um bilhete no clipz, prendendo-o na página marcada.
E no bilhete, apenas um "Olá, está gostando do livro... Pretendo lê-lo também."
Na outra noite ao chegar, ele vai ansioso ver o livro esperando uma resposta.
Porém, nada encontra.
Mas percebe que o livro estava na mesma página... Então, ela pode simplesmente não ter vindo naquele dia...
Toda noite ele olhava o livro, e não tinha resposta alguma...
Um dia seu bilhete simplesmente sumiu, deixando-o desolado e fazendo-o desistir de ler o livro que tanto queria...
Andando pela biblioteca, cabisbaixo, ele procura outro livro, algum que lhe devolva seu ânimo.
Ele encontra um outro autor, mais cult que àquele que lhe tirara as esperanças.
Ele, então, começa a lê-lo e sem ter com o que marcar ele corre no outro livro e tira aquele clipz rosa - uma mistura de vingança e volta por cima, pensava.
Na outra noite, quando chega para ler seu livro cult ele se depara com um bilhete que dizia:
"Esse aí não é muito bom... Se você deixar, quero terminar de ler aquele outro, depois te empresto o clipz..."
Surpreso, ele não sabia o que responder ou como agir...
Ele apenas recolocou o clipz de volta no outro livro e começou a lê-lo.
Mais surpreso ainda ficou quando chegou na metade do livro.
Percebeu que a mulher misteriosa não havia respondido seu bilhete, não de forma direta...
Ela havia escrito algumas coisas no próprio livro, desde que havia visto o bilhete...
Ele então percebeu a injustiça que cometeu por tê-la julgado precocemente...
Eles, então, corresponderam-se por bilhetes até que ela terminasse de lê-lo.
Mas ao invés de marcarem um encontro, ela apenas deixou um título...
O título do próximo livro que leria...
E assim eles continuaram a se corresponder e a ler, concordando que um encontro apenas acabaria com a beleza do que tinham...
Pois as espectativas sempre são maiores do que a realidade...
Assim, aquele passou a ser o momento deles, um momento de leitura, de magia, de amor.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O que você vê...

...talvez não seja o que se quer mostrar.









Porque 'tudo nasce do seu oposto.'