Eram 9 da noite quando ele decidiu ir à biblioteca - apenas por gostar do ambiente.
Entre uns livros interessantes e outros nem tão, ele achou um em particular de um autor em particular que ele queria, em particular, ler.
Uma boa surpresa aquela biblioteca tê-lo, pois, poderia agora ler ali, naquele ambiente deveras confortável para ele.
Ao abrir o livro ele nota que há um clipz mais ou menos ao meio, sendo usado como marcador de página.
Um clipz rosa.
Ele pensa: "Deve ser uma mulher... Até porque não acho que algum homem leria esse livro por aqui..."
Não que o livro fosse feminino, apenas o ambiente não condizia com homens e leitura...
Curioso, ele coloca um bilhete no clipz, prendendo-o na página marcada.
E no bilhete, apenas um "Olá, está gostando do livro... Pretendo lê-lo também."
Na outra noite ao chegar, ele vai ansioso ver o livro esperando uma resposta.
Porém, nada encontra.
Mas percebe que o livro estava na mesma página... Então, ela pode simplesmente não ter vindo naquele dia...
Toda noite ele olhava o livro, e não tinha resposta alguma...
Um dia seu bilhete simplesmente sumiu, deixando-o desolado e fazendo-o desistir de ler o livro que tanto queria...
Andando pela biblioteca, cabisbaixo, ele procura outro livro, algum que lhe devolva seu ânimo.
Ele encontra um outro autor, mais
cult que àquele que lhe tirara as esperanças.
Ele, então, começa a lê-lo e sem ter com o que marcar ele corre no outro livro e tira aquele clipz rosa - uma mistura de vingança e volta por cima, pensava.
Na outra noite, quando chega para ler seu livro
cult ele se depara com um bilhete que dizia:
"Esse aí não é muito bom... Se você deixar, quero terminar de ler aquele outro, depois te empresto o clipz..."
Surpreso, ele não sabia o que responder ou como agir...
Ele apenas recolocou o clipz de volta no outro livro e começou a lê-lo.
Mais surpreso ainda ficou quando chegou na metade do livro.
Percebeu que a mulher misteriosa não havia respondido seu bilhete, não de forma direta...
Ela havia escrito algumas coisas no próprio livro, desde que havia visto o bilhete...
Ele então percebeu a injustiça que cometeu por tê-la julgado precocemente...
Eles, então, corresponderam-se por bilhetes até que ela terminasse de lê-lo.
Mas ao invés de marcarem um encontro, ela apenas deixou um título...
O título do próximo livro que leria...
E assim eles continuaram a se corresponder e a ler, concordando que um encontro apenas acabaria com a beleza do que tinham...
Pois as espectativas sempre são maiores do que a realidade...
Assim, aquele passou a ser o momento deles, um momento de leitura, de magia, de amor.